Exemplos de questões de namoro

Tenho uma família tóxica?

2020.10.11 06:38 MalalaBR Tenho uma família tóxica?

Oi, pessoal!
Essa é a minha primeira postagem no Reddit. Decidi criar um perfil depois de procurar por conselhos sobre minha situação no Google e achar uma ótima postagem nessa plataforma.
Enfim, quero desabafar e também quero conselho de quem possa me ajudar.
Eu estava escutando um podcast sobre relacionamentos tóxicos e fiquei refletindo: será que tenho familiares tóxicos?
Vou explicar pra vocês o que ando vivendo.
Estou namorando com um carinha faz mais de 2 anos, um amigo de infância. A gente chegou a terminar mas reatamos um ano depois. Foi um tempo bem difícil sem ele, pois nos damos bem em todos os aspectos.
O motivo do nosso término naquela época foi a minha família. Minha mãe simplesmente não aceita o relacionamento e fazia um inferno desde sempre. Na visão dela, o meu namorado não é o suficiente para mim.
Eu sou o orgulho da família: uma pessoa recém-formada em um curso "promissor" e esperando as coisas acalmarem (pandemia) para começar em um trabalho que tenho garantido. Mas mesmo assim, ela acha que vou "me perder" por conta desse namoro. Em parte eu entendo, pois ela casou cedo e engravidou muito nova (aos 16) e anos depois se divorciou. Mas eu não sou ela e não terei o mesmo destino: já tenho 22 anos, não penso em filhos e muito menos casar tão cedo (talvez seja um reflexo).
O meu namorado é vestibulando, pois se atrasou um pouco nos estudos por conta de questões familiares: ele não tinha apoio de ninguém. Eu entendo perfeitamente a situação em que ele está e enxergo todo o esforço dele para passar no curso dos sonhos. Tenho certeza de que ele conseguirá, pois estuda diariamente para isso.
Contudo, minha mãe não enxerga isso. Apenas vê uma parte dele: desempregado e vestibulando. Ela acha que ele é um vagabundo. Mas ele não é, pois ajuda o pai no trabalho sempre quando necessário e ganha alguns trocados.
Importante dizer que sou a mais velha dos filhos. E mais importante ainda dizer que o meu irmão mais novo jamais foi julgado como eu por estar com alguém que ama. E meu irmão não é bem um exemplo: não gosta de trabalhar, sempre teve um desempenho medíocre nos estudos e pede dinheiro a minha mãe sempre. Gosta de vida fácil. Já cheguei a pagar uma fatura do cartão de crédito dele porque ela me pediu. Já dá para entender que ela tem um favorito, né?
Esse desabafo vem depois de um episódio de uma piada de mal gosto e bem inconveniente: meu namorado estava aqui em casa (estou morando em uma cidade pequena com casos controlados da COVID) e eu me levantei para tomar um banho. Assim que saio do banheiro, meu irmão e minha mãe estão na sala de estar e começam a tirar onda da minha cara, perguntando de uma maneira jocosa se eu havia transado com ele (pois estávamos sozinhos por alguns instantes).
Eu não acreditei naquilo.
Respondi que não tinha dado liberdade a nenhum dos dois para me perguntar algo tão íntimo e sai da sala. Ao sair da sala, escuto minha mãe dizer que aquele assunto era de interesse dela. Rebati que não era, pois era pessoal. Ela respondeu dizendo que se algo acontecesse comigo, iria para as "costas dela". Ou seja, se eu engravidasse, ela quem iria ficar responsável por tudo.
Ledo engano. Eu faria de tudo, mas não pediria um centavo. Gosto da minha independência, estudei para isso. Só estou aqui, nesta cidade pequena onde ela mora, por conta da pandemia, mas logo mais voltarei para onde tenho um emprego na manga. E meu namorado com certeza não ficaria de braços cruzados, ele mesmo me disse que enxugaria gelo para sustentar um eventual filho.
Esse foi só um dos inúmeros episódios. Falar sobre todos daria um livro. Já fui chamada de tudo, menos de santa por manter e reatar esse relacionamento. Ela já passou duas semanas sem falar comigo por conta de uma briga que tivemos, e durante essa briga o meu aniversário passou em branco: não me desejou um simples parabéns. Enquanto isso, meu namorado fez de tudo para ser um dia especial, mas percebeu a minha tristeza naquele dia. Um verdadeiro inferno!
Desde que cheguei nessa cidade, para ficar com ela durante a pandemia, sofro com isso. Cada visita do meu namorado (que até evita vir aqui) é um sufoco.
Realmente não entendo esse comportamento. E não acho que sou uma adolescente que é cega pelo namorado, sei que sou nova, mas não tenho mais idade para ser tão boba. E não é a primeira vez: para ela, nenhum namorado meu era bom o suficiente.
Eu sinceramente acho que essa aparente preocupação da minha mãe vai bem além disso. Estou tentando levar ela ao psicólogo, mas ela se nega. Acho que ajudaria bastante para que ela enxergasse todos os comportamentos tóxicos não só comigo, mas com minha irmã mais nova (quem xinga e grita todo dia) e com o namorado dela também (que é feito de gato e sapato!). Ela realmente precisa de ajuda.
A minha utopia é de uma convivência pacífica: que meu namorado possa vir almoçar em família em um dia de domingo, participar de aniversários e churrascos, mas como falei, hoje isso é apenas uma utopia.
O que vocês me aconselham a fazer? A sinceridade é bem-vinda e agradeço a todos de bom coração!
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2020.08.05 00:45 DiegoROCCO Erros gramaticais comuns 1

Olá, estudantes da língua portuguesa! Neste artigo, falarei sobre alguns erros gramaticais bem comuns, cometidos, inclusive, por falantes nativos. Então, vamos lá!
1° erro: vocativo
Vocativo é um termo que diz com quem o emissor (a pessoa que fala ou escreve) está se comunicando. Suponha que você tenha um amigo chamado Marcelo, e deseja saber se ele vai à festa que acontecerá hoje à noite. Pode perguntar a ele ''Marcelo, você vai à festa hoje à noite?''. Repare que a palavra Marcelo diz com quem o emissor (no caso, você) se comunica, por isso ''Marcelo'' é um vocativo. Repare também que os vocativos sempre aparecem isolados por vírgula, uma vez que, sintaticamente falando, eles não se relacionam com os demais termos da oração.
Observação: o vocativo não precisa aparecer necessariamente no começo da frase, podendo ser deslocado: ''Você, Marcelo, vai à festa hoje à noite?'', ''Você vai à festa hoje à noite, Marcelo?''.
2°erro: sujeito, verbo e vírgula
É comum ver as pessoas separando um sujeito de seu verbo (ou locução verbal) por vírgulas. Isso constitui erro: ''Todos os alunos daquele professor, entenderam a explicação (errado)'', ''Todos os alunos daquele professor entenderam a explicação (certo)''.
Observação: muitos empregam a vírgula considerando-a como uma mera pausa. Aqui vai um fato, talvez chocante: a colocação da vírgula só será feita de maneira correta, se seu usuário souber bem análise sintática, pois ela está relacionada à sintaxe. Por isso nunca a empregue buscando dar uma pausa no seu discurso onde o leitor possa ''respirar''. Claro que às vezes ela é facultativa, e seu uso, de fato, concede ao leitor um momento onde ele possa ''recuperar o fôlego''. No entanto, se quer saber usá-la bem, estude sintaxe, estude sujeito, verbo, adjuntos adverbiais, orações, pois assim possuirá uma boa base para saber usar a vírgula corretamente.
3° erro: fazer, haver, chover e ser
Esses três podem atuar como verbos impessoais, que são verbos sem sujeito. Pense assim: para encontrar o sujeito de um verbo ou locução verbal, basta lhe perguntar ''O quê?'' ou ''Quem?''. Veja:
Eu comprei dois livros novos. (Quem comprou dois livros novos? Resposta: eu. Logo ''eu'' é o sujeito)
Maria e Catarina se amam muito. (Quem se ama muito? Resposta: Maria e Catarina. Logo ''Maria e Catarina'' é o sujeito)
Bem simples, não? Repare que nestas frases, a pergunta fica sem resposta:
Chove muito em lugares úmidos. (O que/Quem chove muito? O tempo? O clima? O céu? Deus? Sem resposta, logo sem sujeito)
Faz dez anos que não a vejo. (mesma coisa)
É uma hora e meia. (mesma coisa)
Há pessoas boas no mundo. (mesma coisa)
Observação: nessa oração, considera-se ''pessoas boas'' objeto direto do verbo haver; ''no mundo'' é adjunto adverbial de lugar.
Observação: por serem verbos impessoais, não possuem sujeito com o qual poderiam concordar, logo ficam na terceira pessoa do singular.
Observação: alguns verbos, originalmente impessoais, podem adquirir sujeito (ocorre principalmente em sentido conotativo). Nesses casos, como têm sujeito, devem concordar com ele em número e pessoa:
Choveram, na prova do professor Xavier, questões difíceis. (O que choveu na prova do professor Xavier? Resposta: questões difíceis. Logo ''questões difíceis'' é o sujeito) Repare que, como o sujeito está no plural, o verbo também está, concordando com ele.
Outro exemplo muito bom:
Fazem dez anos de casamento João e Maria. (vou deixar a análise desse com você)
Observação: cuidado com o verbo ser! Quando ele é um verbo impessoal, geralmente expressa as seguintes ideias: tempo, distância, hora ou data. Tais ideias se encontram no predicativo do sujeito, com o qual o verbo ser concorda:
É uma hora. (predicativo no singular, verbo no singular)
São nove horas (predicativo no plural, verbo no plural)
Hoje é um de maio (predicativo no singular, verbo no singular)
Hoje são dois de maio (predicativo no plural, verbo no plural)
Daqui à Cidade são dez quilômetros. (idem)
É frio aqui. (predicativo no singular, verbo no singular)
Observação: quando estiver acompanhado da palavra dia, indicando data, ficará no singular:
Hoje é dia 2 de maio.
Isso acontece porque agora o núcleo do predicativo é ''dia'', palavra que determina a concordância e está no singular. ''2 de maio'' é apenas um aposto especificativo.
Observação: eu disse anteriormente que o verbo ser concorda com o predicativo do sujeito. Se ele é impessoal, não tem sujeito, logo não deveria existir predicativo do sujeito. Também acho, mas é assim que a gramática tradicional manda classificar.
4°erro: verbo assistir
Trata-se de um verbo que, com o seu sentido mais comum (=ver, presenciar), é VTI (Verbo Transitivo Indireto), pedindo a preposição a. Veja:
Eu assisti o filme. (errado)
Eu assisti ao filme. (correto)
5°erro: namorar com
Trata-se de registro coloquial. A forma aceita pela gramática tradicional é VTD (Verbo Transitivo Direto). Repare:
Eu namoro com a garota mais linda da escola. (errado)
Eu namoro a garota mais linda da escola. (certo)
Ficarei por aqui. Até a próxima!
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2020.04.22 15:59 Dell_Abrin A polarização vai ser (ou já é) a nossa desgraça

WALL OF TEXT AHEAD
Vou tentar ser o mais sensato possível nesse post, por isso randomizei os argumentos que construí e a ordem que cito os fatos pra não ter problemas de maior visibilidade de uns ou outros, vai ser longo, tem TL;DR no fim pra quem quiser, vamos lá:
Bom dia a todos,
Não precisa ser um gênio pra ver que a polarização só aumenta e está tendo efeitos muito sérios na sociedade. O "nós contra eles" fica cada dia mais forte e é cada vez mais o modus operandi das pessoas. Isso não começou agora, vem se arrastando desde tempos pra cá, e pode ser visto nesses vários exemplos, de vários momentos dessa linha do tempo, randomizados:

- Verdevaldo foi convocado e desconvocado pra depor no mesmo dia , o deputado que convocou deu um 180º fodido na própria proposta ao ver que a oposição apoiou e não apresentou nenhuma ressalva. O "nós contra eles" aqui é mto forte, o simples fato dos seus oponentes políticos também almejarem algo é suficiente pro abandono completo de uma proposta. Sem nenhuma análise sobre a validade da questão, nada, se eles querem, eu não quero.
- A polarização do corona , esse é o exemplo mais escancarado e atual. Todos tem interesse em como lidar com o corona, é um problema grande, ambrangente e complexo. Eu vejo que muitos não tem a disposição de argumentar sobre o que é melhor ou pior a ser feito, apenas em defender as suas (ou do seu idolo) ideias de ataque e atacar as ideias dos opositores. Isso sem contar que muitas vezes as ideias não nascem das próprias pessoas, são na realidade um relay de algum político/ideologia, sem pensamento crítico e nem mesmo alguma análise se aquilo se aplica a própria vida da pessoa e da sociedade. Nem vou falar muito sobre isso pq é fkin óbivo.
- Esse post, feito neste sub e no outro, onde uma agressão acontece, em um suposto protesto, um ato repudiável por qualquer ser humano que deseja viver em sociedade. Não demorou pra aparecer gente defendendo essa ou aquela ideologia/político e etc, nos dois subs. Exemplo fodido de que tem algo profundamente errado.
- O reaquecimento da discussão do Homeschooling , a qual já tinha sido polarizada antes, com pouco foco na discussão sobre o mérito da qualidade do ensino e a experiência que a criança/adolescente teria (o que deveria ser o principal a ser discutido, afinal estamos falando de ensino), mas nas implicações políticas do fato. Lamentavelmente, cada vez mais a discussão profunda, complexa e muito importante vem se tornando um "nós contra eles".
Em resumo, hoje em dia a importância das discussões corre atrás dos rótulos políticos envolvidos, e menos das questões em si, suas implicações práticas e qual é o melhor resultado pra sociedade. Isso vem entrelaçado com os políticos da cena atual, e suas cores. A idolatria a personagens dessa cena é peça chave, e talvez a mais importante, desse tabuleiro. Leia-se aqui TEM GENTE IDOLATRANDO POLÍTICO E SEGUINDO IDEOLOGIA IGUAL RELIGIÃO.
Pouco se ouve alguem dizer "eu não tenho a resposta pra isso", "eu não sei se é tão simples assim", "preciso pensar melhor sobre isso", as pessoas tendem a pegar a resposta pronta praquilo na database de sua ideologia/político de estimação e jogam na conversa. Sem pensamento crítico, sem análise, nada. Triste demais.
********* TRANSIÇÃO DE FATOS PARA ---> OPINIÕES DO AUTOR ********\*
Eu não deveria lembrar ninguém disso, deveria ser o padrão, estar tatuado na mente de todos, mas vamos lá:
POLITICOS NÃO DEVEM SER IDOLATRADOS JAMAIS. Independente da esfera ser municipal, estadual, federal, independente de quem está no poder, independente dos problemas que enfrentamos, independente de tudo.
Se vc acha que um político fez algo bom e que merece reconhecimento, vai uma frase aí bem conhecida, "não fez mais que a obrigação". O salário no Executivo, Legislativo e Judiciário já é muito maior que a média, cheio de regalias que a maioria aqui jamais vai ter, com assessoria pra tudo. Quem paga por tudo isso somos eu e vc, a nossa função é de cobrar sempre, e escolher pensando no nosso próprio bem e da sociedade que queremos ver. Eu nem preciso citar a corrupção sistêmica por trás disso tudo.
Nós vamos ruir como sociedade se isso continuar assim. Não tem como manter uma soceidade segura, próspera e avançando se tudo depender de rótulos que colocam em vc por causa do voto que vc exerce no jogo democrático. Teve brigas de família, teve término de namoro, sociedade acabada em empresa, teve um monte de merda espalhada por aí sem a menor justificativa.
É incrivel cara, surreal pensar que perguntar pra alguém sobre como a pessoa se posiciona em um debate sobre:
ESCOLHA APENAS UM: aborto ou economia ou estado ou armas ou o cacete...
... é suficiente pra rotular ela e, ousadamente, prever como é a opinião dela em todos os outros assuntos.
É como se agente tivesse ignorado a capacidade das pessoas pensarem separadamente sobre cada assunto desses, e automaticamente metesse uma camisa de time nela por causa que ela falou 1% do que pensa sobre o mundo.
Antes que venham me chamar de "ain, isentão, comunista, gado, bolsonarista, fascista, nazista etc etc", deixo aqui outra epifania pra vcs:
É possível sim alguém pensar sobre as grandes questões da sociedade de maneira isolada. Eu posso sim ter uma opinião sobre os 4 assuntos acima, bem formulada e embasada, que não me coloca em nenhum time. É possivel sim eu não me identificar com nenhum político, mas ainda defender meus interesses e crenças através do voto, afinal, temos que escolher vários representantes em 3 esferas e 3 poderes.
Garanto que vai ter gente me rotulando e xingando nos comentários, atribuindo que sou isso ou aquilo. Pra vcs, desejo-lhes boas vindas ao mundo real, onde tudo é difícil e complexo, e o buraco sempre é mais embaixo.
TL;DR: A polarização só aumenta, de várias maneiras, e isso é muito pergioso pra integridade da sociedade como conhecemos. Acredito que isso é um efeito da idolatria que umas pessoas atribuem a outras, leia-se fanatismo político. Acredito tmb que isso é errado, e que não deveria existir esse tipo de comportamento.
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2019.07.07 23:07 almofarizdosombra Feedback sobre texto

Nos últimos tempos, tenho andado a escrever uma pequena história e gostava de ter algum feedback. Já mostrei a alguns amigos, mas queria obter outro tipo de feedback menos parcial. O objetivo não é necessariamente publicar, mas também melhorar e aprender algumas coisas. Deixo aqui os primeiros três capitulos. É um romance dramático. Desde já obrigado a quem tirar um pouco do seu tempo para ler. Qualquer tipo de feedback é apreciado.

I
Sempre Bem
Sinto o seu cabelo suave enquanto lhe acaricio a cara lisa e macia. E linda. Muito linda. Aqueles cabelos sempre foram a minha perdição. Pretos, encaracolados, macios e cuidadosamente bem tratados. Mas não se pense que sou fraco, afinal até os homens mais fortes têm fraquezas. Vide o exemplo do Super Homem, individuo possuidor de uma super força, uma super velocidade, invulnerável até à mais poderosa bomba nuclear. Exceto à kryptonite. Com as devidas diferenças, eu acredito que sou um Super Homem. E aqueles cabelos são a minha kryptonite.
Ela agarra-me a mão como ninguém sabe agarrar. E mesmo que soubesse, ninguém era capaz de o fazer como ela que emprega toda a sua dedicação, emoção e amor naquele gesto. Amor. Será que ela me ama? Será que eu a amo?
Aproximo-me até estarmos quase colados. Ela está estranhamente calma. Eu estou estranhamente calmo. É como se já soubéssemos o que vai acontecer. Na verdade, não era difícil de advinhar. Há coisas na vida que são inevitáveis como o céu ser azul, depois de sábado ser domingo ou a morte. Mas mesmo nas inevitabilidades, a vida consegue ser imprevisivel. Peguemos no exemplo da morte: toda a gente sabe que vai morrer, mas não sabe quando, como, onde nem porquê. Até há quem já esteja morto e ainda não saiba. Mas eu não gosto de pensar na morte. Eu, qual Super Homem, estou sempre bem.
Os nossos lábios tocam-se ou pelo menos eu acho que sim, mas não tenho a certeza. Não tenho a certeza porque não sinto. Nada. Todo aquele momento inevitável que era suposto ser o pináculo da nossa relação até então, tantos rios que fizemos para desaguar naquele mar e agora estou adormecido. Vem-me à cabeça Let It Happen de Tame Impala.
It's always around me, all this noise, butNot really as loud as the voice saying"Let it happen, let it happen (It's gonna feel so good)Just let it happen, let it happen"
All this running aroundTrying to cover my shadowAn ocean growing insideAll the others seem shallowAll this running aroundBearing down on my shouldersI can hear an alarmMust be morning
É mesmo de manhã. Pego no telemóvel para ver as horas: 7:30. Foda-se, já estou atrasado. Procedo à minha rotina matinal: desligo o alarme; levanto-me da cama; ligo a torneira para aquecer a água; vou buscar a toalha e a roupa interior; sento-me na sanita a pensar na vida enquanto espero que a água aqueça; tomo banho; volto ao quarto para me vestir; como o pão com manteiga e bebo o café que a minha magnífica mãe pôs na secretária enquanto estava no banho; arrumo o PC e o carregador na mochila; ponho os headphones e ligo o Spotify. Tudo isto em meia hora. Não sei se é rápido ou lento, mas já sigo esta rotina há tanto tempo que o faço inconscientemente.
No caminho até ao autocarro, cruzo-me sempre com quatro cães. O primeiro é pequeno e peludo e traz consigo uma certa inocência e fragilidade; o segundo é já bem mais forte e imponente, mas muito calmo e pacífico. Acho que nunca o vi a ladrar ou sequer agitado o que não é muito normal para um cão daquela envergadura; o terceiro é a personificação do ditado “cão que ladra, não morde”; por último, mas não o menos importante, um pouco mais distante dos outros três, está o meu favorito: um pastor alemão de médio porte, tristonho, solitário e carente. Não sei o que se passa com ele, mas, seja a que hora for, está sempre deitado no chão no mesmo cantinho a olhar para a pequena porta gradeada à sua frente, esperando uma alma caridosa que passe para lhe dar o carinho que ele necessita. E eu bem tento, mas ele não me deixa. É bem jogado, eu não sou de confiança. Dejá vu. Tenho tanta pena dele que até já pensei em raptá-lo para lhe dar uma casa em que ele seja amado. Até comentei isso com ela.
Nós falamos tanto. Não me lembro da última semana que passei sem falar com ela, seja por mensagens ou (o meu favorito) pessoalmente. Por vezes estou eu perdido nos meus pensamentos como muitas vezes acontece e dou por mim a pegar no telemóvel e mandar-lhe uma mensagem. Falamos da vida, da morte, do sol, da chuva, do ontem, do amanhã e de cães. Ela tem uma cadela linda. Gosto tanto dela que é o meu wallpaper do telemóvel.
Já cheguei e nem reparei. Faço isto tantas vezes que já é automático. Instantâneo. Às vezes gostava que não fosse assim, que tomasse mais atenção ao que me rodeia, que aproveitasse mais os momentos, mais lentamente. Na verdade, neste caminho rotineiro, só há duas coisas às quais presto atenção e vejo com olhos de ver: cães e mulheres. Os cães iluminam o meu dia e aquecem o meu coração de tão fofos e inocentes que são. As mulheres fazem-me viajar. Por cada uma que passo, reparo nos seus traços, na sua postura, no seu olhar e imagino que aquela pode ser o amor da minha vida. Mas não é. Nunca é. E ainda bem para elas, certamente estão melhores sem mim. Dejá vu.
Chego ao portão e vou buscar o telemóvel para ver qual é a sala. Tenho uma mensagem do Diogo. «Não vens à avaliação?». Foda-se, esqueci-me. Não faz mal, eu safo-me, estou sempre bem.
II
Música Fria
“Isola-se a incógnita no primeiro membro e passa-se tudo o resto para o segundo membro com a operação inversa”.
Olham todos para mim com raiva e inveja. Outra vez.
“Certo, mais uma vez, mas na próxima não quero que sejas tu. Quero ouvir os outros”.
Eu não pedi isto. Eu não tenho culpa. Parem de olhar assim para mim. Enfio a cabeça no caderno e tento afastar os olhares, a inveja e a raiva da minha cabeça. Foca-te. Pensa em momentos melhores. Respira. Quem me dera que a Filipa gostasse de mim. Não, é impossível. De todos os pretendentes, nunca me iria escolher. Quando tens pretendentes muito mais fortes, confiantes e experientes, porquê escolher o mais fraco? Para não falar da beleza dos candidatos que é um fator muito relevante nestas discussões. Aí a diferença é abismal. A única vantagem que tenho é que somos amigos, mas a amizade não conta muito nestas coisas.
Dou por mim a resolver o resto dos exercícios. Já é automático. Instantâneo. Para mim, a matemática corre-me nas veias. Quem me dera que fosse assim nos outros aspetos da vida. Quem me dera que todos gostassem de mim. O meu sonho é que um dia toda a gente goste de mim. Vai ser tão fácil viver sem os olhares de julgamento, a inveja, o ódio.
Levantam-se todos, é hora de intervalo. Dez minutos a respirar ar fresco enquanto dou voltas à escola. Apesar de tudo, uma pessoa tem que se manter em forma. Se passo o dia numa sala e as aulas de educação física são o que são, como é que é suposto manter a forma física? Além disso, não tenho mais nada de interessante para fazer. Os temas de conversa são aborrecidos, não aprendo nada. E se não estou a aprender ou a evoluir é uma perda de tempo. Encontro a Filipa ao voltar para a sala. “Vais ficar hoje?”. Hoje é a reunião dos pais e normalmente a turma toda fica lá fora à espera deles. É melhor que ficar em casa sozinho com fome à espera que a tua mãe volte para te fazer o jantar. Assim pelo menos posso comprar um Snickers na máquina para enganar a fome. “Não sei.”. “Fica. O que é que vais fazer em casa sozinho?”. Eu já sabia que ia ficar. Estava só a fazer um teste para ver se ela se importava.
As aulas da tarde são sempre a mesma coisa. O que é habitualmente uma turma irrequieta, está agora apática.
“Dom João quarto casa com Luísa de Gusmão a 12 de janeiro de 1633”.
Quem me dera viver nesta época. Era tudo tão mais fácil. Evitava-se todo este jogo para descobrir se aquele era realmente o amor da tua vida, se vale a pena continuar, se vale a pena tentar ou se o amor da tua vida existe sequer. Simplesmente combinavas com outra pessoa que iam ser o amor das vossas vidas. Dava jeito a toda a gente. Evitava-se todo o tipo de confusões, dramas e lamúrias. Há quem diga que isso é que traz a magia às coisas. Eu digo que é uma merda. No modelo antigo, pessoas como eu podiam ser felizes. Assim, a possibilidade é bastante baixa para não dizer nula.
“Qual é a tua música favorita?”, pergunta-me a Filipa enquanto vejo a mãe a passar.
“Não gosto de música”.
“O quê?! Nunca conheci ninguém que não gostasse de música. É impossível. Toda a gente gosta de música.”.
“Eu não gosto”. Desta vez não estava só a tentar ganhar a atenção dela, é mesmo verdade, não gosto de música.
“Vou-te mostrar uma música.”. Olha para o telemóvel e põe uma música. Até não é má.
“É uma música fria”.
Ri-se. “És estranho.”. Diz isto enquanto me olha nos olhos. “Olha quero pedir-te um favor.”.
“Diz”.
“Ando a ter algumas dificuldades com matemática e pensei que tu me podias ajudar. Podíamos aproveitar este tempo e tu vinhas a minha casa fazer os TPC’s comigo. Que achas?”.
Ela não tem dificuldades a matemática. Pelo menos nunca aparentou ter até agora. Ou será que tem? As aparências iludem. “Pode ser”.
Sorri. “Vamos então.”.
É a primeira vez que alguém me convida para a sua casa. Não sei o que esperar, mas vai ter que ser rápido senão a minha mãe preocupa-se. Provavelmente consigo fazer aquilo tudo em dez minutos sem problema.
Afinal é isto. Mesmo que me tivessem dito que ia ser assim, que era disto que devia estar à espera eu não acreditava. Olho para o meu lado esquerdo e vejo a Filipa um bocado abatida. Compreensível. Se para mim foi anticlimático, imagino como terá sido para o outro lado. Tenho que dizer alguma coisa para tentar mudar este momento.
“Gostei da música que me mostraste. Põe outra vez.”. Vejo-a levantar-se, pegar no telemóvel e pôr a música. Acho que resultou. Pelo menos para mim o ambiente está melhor.
III
Tem de Ser
Estico-me para chegar ao telemóvel. “Posso meter uma música?”. Incrível como passados estes anos todos ainda continuo a ter os mesmos hábitos.
“Claro.”. A Sofia olha para mim como se aquele fosse o melhor momento da sua vida e eu fosse o principal responsável por isso. Chego-me perto para retribuir. Beijo-a ao som da Musica Fria. É um bom momento. Por alguns instantes, engana-me. Mas não é ela.
Volto ao telemóvel e abro as mensagens. Já não lhe mando uma mensagem há muito tempo. «Olá». Ela já sabe como isto funciona. Daqui a umas horas, vai-me responder e vamos falar da vida, da morte, do sol, da chuva, do ontem, do amanhã e de cães. Talvez até tenha sorte e receba alguns vídeos da cadela dela.
“Na quarta saio mais cedo. Podias vir aqui.”. A Sofia quer demasiado. É sempre aqui que as coisas começam a descambar. A minha vida amorosa é um ciclo vicioso. Começa sempre no verão e com ele vem uma sensação escaldante, uma energia renovada, a vontade de fazer mais e melhor a cada dia que passa. É por esta fase que ainda não desisti. É por isto que quase vale a pena. Sorrateiro, mas sem piedade, chega o outono. As folhas verdes e viçosas que antes emanavam esperança, estão agora castanhas e cansadas espalhadas pelo chão. É aqui que percebo mais uma vez que ainda não é esta. Não é ela. Aquilo que fazias no verão já não o consegues fazer. É demasiado frio. Agasalho-me para me sentir um pouco mais quente e preparar o inverno. Chega o inverno rigoroso. Todos os anos chega de rompante, sem avisar, sem dó nem piedade. Deixa-me a tremer de frio. Já não faço nada do que fazia no verão, só me apetece ficar em casa à espera que passe a tempestade. Lentamente, chega a primavera. Sinto um cheiro a ilusão no ar, há uma esperança renovada, uma certa vontade de voltar a repetir tudo à espera que desta vez o resultado seja diferente.
Repetir a mesma coisa vezes sem conta à espera de um resultado diferente: a definição de loucura. Todos os génios têm um pouco de loucura e eu, como génio que sou, não fujo à regra. Como génio a minha primeira invenção será um sistema de emparelhamento de casais. Nada dessas aplicações de encontros que há por aí. Nada disso. O meu sistema vai oferecer uma probabilidade de 99,9% dos participantes encontrarem o amor da sua vida. Para isso, os candidatos terão que passar por várias relações com término definido, a fim do algoritmo estudar as suas reações nesse espaço de tempo e também ao término inesperado da relação. Ah sim, esqueci-me de dizer que nenhum deles vai saber quando a relação acaba, isto para fazer com as reações sejam genuínas, com o objetivo de obter dados com a maior credibilidade possível. Também não vão saber quantas relações terão que passar até atingir o tão esperado amor da sua vida ou quanto tempo isso vai demorar. Agora que penso, se calhar este sistema já existe. Se calhar eu estou neste sistema. Se calhar estamos todos neste sistema. Se estivermos mesmo, eu sou a anomalia estatística. O 0,1%. A margem de erro. Não se pode ter sorte em tudo.
“Claro, achas que não ia aproveitar mais uma oportunidade para estar contigo?”. Tretas. Mentiras que eu repito na minha cabeça para me fazer acreditar que é mesmo verdade quando já sei o desfecho desta história.
Ah!, aquela última semana de verão. Acho que desta vez vou já fechar-me em casa no outono. Parece-me que este vai ser rigoroso.
Vejo-a passar no corredor. Ela repara em mim e vem dar-me um abraço. Adoro estes abraços. Ela abraça-me como ninguém sabe abraçar. E mesmo que soubesse, ninguém era capaz de o fazer como ela que emprega toda a sua dedicação, emoção e amor naquele gesto. Amor. Será que ela me ama? Será que eu a amo?
“Estás bem?”.
“Estou sempre bem, já sabes.”.
Vou ao bolso e tiro aquelas bolachas que ela gosta. Dou-lhe uma e começo a comer a outra. Adoro ver aquele sorriso que ela faz quando lhe dou a bolacha. É como se soubesse o que aquele gesto significa para mim.
“Não pareces bem.”.
Ela conhece-me demasiado bem. Demasiado até para o seu próprio bem.
“Mas estou, acredita. E tu?”.
“Já estou melhor. Um dia de cada vez.”.
Fico triste que ela não consiga ser 100% feliz. Se há pessoa que o merece é ela. Gostava de fazer mais por ela, mas não posso. Não consigo. Dou-lhe um beijo na testa e sigo para a aula.
«Hoje vou fazer aquela massa que tu gostas <3». A Sofia faz questão que eu não me esqueça dos nossos compromissos. Olho lá para fora e sinto o outono a chegar. Há uma certa beleza e tranquilidade nesta parte. Apesar de saberes que vêm aí tempos mais frios, ficas de certa forma contente porque tens a consciência do que está a acontecer. Assim, evitas ser apanhado de surpresa e, de repente, ficas sem tempo para te agasalhar. E tu não queres isso. Não queres, porque é assim que ficas doente.
Estou cá fora a fumar um cigarro enquanto olho para a porta. Porque é que estou a fumar? Eu só fumo quando estou stressado. Ou será que isso é uma mentira que eu repito para mim mesmo até acreditar, como tantas outras? Mas esta tenho quase a certeza que é mesmo verdade. Eu passo meses sem fumar até que um dia decido fumar um cigarro. Nestas fases nunca fumo mais do que um maço. Eu nem me apercebo quando elas começam porque não é sempre no outono. É como se o meu corpo dissesse que precisa de nicotina e eu lhe desse o que ele quer. Como muitas coisas na minha vida, já é automático. Instantâneo. Lucky Strike. Reza a lenda que tem este nome, porque, antes da marijuana ser ilegal, alguns maços continham um cigarro de marijuana como bonus.
Já chega. Pára e vai fazer aquilo que vieste aqui fazer. Toco à campainha. Se demorar muito, vou embora. Está calado, faz-te homem. Tem de ser. Há coisas na vida que tem mesmo de ser. É como se costuma dizer: o que tem de ser, tem muita força. Tanta força que me consegue empurrar escada acima, até ao quinto direito, para fazer aquilo que eu não quero fazer. Mas tem de ser.
Recebe-me com aquele sorriso que fazia derreter o coração de muitos. És tão boa para mim, Sofia. Foste tão boa para mim, Sofia.
Oh, I have been wondering where I have been ponderingWhere I've been lately is no concern of yoursWho's been touching my skinWho have I been lettingShy and tired-eyed am I today
Sometimes I sit, sometimes I stareSometimes they look and sometimes I don't careRarely I weep, sometimes I mustI'm wounded by dust
Nada dói mais do que o som duma porta a fechar. O impacto foi tão forte que caí para trás. Fico sentado encostado à parede a olhar para aquela porta que se acabou de fechar. Mais uma. Passa mais uma. Eu não quero saber, podes olhar. Sim, estou aqui no chão a chorar enquanto olho para a porta da mulher que acabei de rejeitar. Algum problema? O único problema aqui é tu não seres ela. Quem me dera que fosses. “É ela, não é?! Eu já sabia!”. Ela não te diz respeito, por isso, quando falares dela, falas com respeito. Era o que devia ter dito, mas eu sou fraco. Nestas questões, sou fraquíssimo. Mas se até o Super Homem tem uma fraqueza, eu também posso ter. No entanto, o que é o Super Homem sem o amor? Podes ser o imperador do mundo inteiro, da galáxia inteira, mas sem amor não és homem nenhum, quanto mais Super Homem.
E se eu me atirasse daqui? Será que morria? Se eu morresse, ninguém ia querer saber. Só ela. E mesmo ela ia ficar triste inicialmente, mas depois ia passar. Até é melhor para ela, evita-se a inevitabilidade a que todas as minhas relações se destinam: fracasso. Todas as amizades, todos os namoros acabam por dar mal de uma maneira ou outra e o pior é que sugo sempre um bocado da outra pessoa comigo. Prefiro não estar cá para ver isso acontecer com ela. Até agora pensei sempre na razão de eu ter tanto azar, afinal eu sou boa pessoa. Agora percebi finalmente. Só há uma possibilidade, um denominador comum, uma pessoa em falta: eu.
Chegou a hora de eliminar os denominadores, mas antes disso tenho que lhe deixar uma mensagem para ela saber o quão boa foi para mim. Desculpa.
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2017.07.09 21:43 sofroatoa Friendzone que não é friendzone mas é e eu não sei como lidar to sofrendo socorr

Tenho vida de casado. Passo o dia todo com a mulher, só estresso, não transo e não faz sentido mudar porque se não vou passar fome. Não, essa mulher não tem nenhum relacionamento comigo além da amizade e "trabalho".
Nós ficamos uns meses em 2012, depois que terminei um namoro de 5 anos. Caí fora depois que ela gritou comigo no meio da rua procurando treta onde não tinha. Isso depois que ela jogou água na minha cara do nada por "brincadeira". Afastei. Ela namorou um rapaz que depois foi internado por questões psicológicas (há que diga que foi drogas).
Final de 2015 voltei a falar com ela, conversando atoa mesmo. Começo de 2016 ficamos. Ficamos umas vezes ou outras e nesse meio tempo ela me chamou pra ajudar na empresa que ela tinha, uma empresa pequena de vendas. A empresa cresceu muito depois que entrei, do meio de 2016 até o começo deste ano as curtidas no Facebook saíram de 1000 para 35 mil e as vendas estão a todo vapor, 40% do lucro vem pra mim hoje em dia.
Começo desse ano ficamos mais uma vez e então ela veio com o papo de que eu só me sentia culpado por tudo que fiz com ela no passado. Porra. 1 ano depois que voltamos a conversar e ela achava que eu tava nessa pira de me sentir culpado? Eu cago pro que teve no passado. E as coisas com ela iam bem dessa vez, eu tava curtindo, a gente se dá bem até demais. E eu gosto dela. De verdade.
Ok. Do nada ela veio falar que achava melhor a gente ser só amigos. Falei blz fera, mas você sabe que eu não vejo as coisas desse jeito. Ela falou blz. E ok. Então ela arrumou um namoradinho bombado, que pegou o carro dela e largou na beira de uma rua aqui da cidade, passou pro banco de trás e foi tirar uma soneca porque tava muito retardado. Ela conta isso e dá risada, tá na fase de pegação e "sou rebelde tomo conta da minha vida"
Mas mano, que fase é essa? Ela tem 26 anos, eu tenho 25. 7 meses depois ela brigou com esse maluco e terminaram. Nesses 7 meses de namoro eu passava mais tempo do lado dela do que qualquer outra coisa ou pessoa. E quando digo do lado dela, é literalmente do lado. Indo na casa por causa das coisas dos trampos, trocando ideia avulsa, conversando no whats 27h por dia, viajando pra fazer as coisas, indo em médico com ela, etc, etc.
É como se eu fosse o namorado, só não transasse. E agora mano, eu to cansado pra porra. Último ano de faculdade, preciso seguir a minha vida e se eu me afastar dela vou ter que depender dos meus pais por uns 2 meses até eu ficar estável financeiramente de novo. Ela criou altos planos comigo, de abrir outra empresa e tal. E eu? Eu só quero paz e sossego.
Agora "ah, por que não assume só a parte do trampo e continua com a sua vida numa boa?". Eu sou troxa, eu não largo o osso. Não desisto fácil. E não vou conseguir ver ela só como parte do meu "trabalho", me conheço. Vou tentar seguir a minha vida, já fiquei com outra pessoa nesse meio tempo, mas gosto mesmo é dessa peste. E já faz tempo suficiente pra saber que é melhor eu deixar de lado tudo isso mesmo.
Então é isso, vou cair fora dessa merda e deixar ela se virar. Se ela achar melhor, me procura de novo depois. Se não achar melhor, então flw, boa sorte, nossa "amizade" foi boa enquanto durou. Eu não sou pai de ninguém e se for pra ter papel psicológico de namorado na relação e não transar, eu prefiro cair fora também porque né... Isso é um porre.
EDIT: e antes que alguém fale "ah, mas é muito orgulho seu, você pode ajeitar uma outra namorada e continuar trampando nisso e sendo amigo dessa mina aí". Não, não é tão simples assim. Um exemplo prático: dia dos namorados. Ela me chama pra ir na casa dela pra gente pensar numas promos de venda e tal. Ok, não tinha nada pra fazer mesmo, fui. Quando chego lá ela decide ir na papelaria comprar um caderno pra anotar melhor as coisas (não, não serve os cadernos e folhas que ela tem em casa). Mas blz, grana dela, falei bora. Chegamos lá, tem uma loja de roupas, ela fala "ou, vou ali ver uma roupa que queria faz um tempo". Falo "ok, vai lá, mas vai rápido". Ela entra na loja, passa 2 min ela bota a cabeça pro lado de fora da loja e fala "MEUNOMEBEMALTOGRITADOAQUI, vem cá". Olho pros lados com a cara tipo "ai jesus ninguém me viu né?" e entro. Vejo umas roupas que ela queria, dou umas sugestões, e indico uma que particularmente ela ficou bem gostosa. E saímos. Saio da loja segurando a sacola dela porque ela tava com 20 coisas nas mãos, trombo de cara com um grupo de conhecidos meus (cidade pequena é foda). E isso já vira falação pra cidade toda. Eu sei, tenho que cagar pro que falam, mas a questão é que falam pras que eu saio/converso/fico e volto a ficar sozinho de novo, porque ela mijou na arvorezinha pra marcar território. E sim, já teve duas que me falaram "ou ela ou eu, vlw flw".
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